O grupo

“Iniciarei por aquelas dificuldades vinculadas ao ensino, à formação em psicanálise. Na formação médica os senhores estão acostumados a ver coisas. […] Na psicanálise, ai de nós, tudo é diferente. Nada acontece em um tratamento psicanalítico além de um intercâmbio de palavras[…]”

Freud 

 

Como assinala Freud, desenvolver a familiaridade com o pensamento psicanalítico é uma atividade desafiadora. O inusitado de seu ensino está, justamente, em enfrentar a passagem do visível ao invisível, do lógico ao absurdo, do universo dos fatos ao das palavras, descobrindo por trás da palavra cotidiana uma dimensão metafórica… Qual no labor do poeta.

Qual o interesse num grupo de estudos de Freud?

“Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível que lhes deres:
Trouxeste a chave?”

   Drummond

O pensamento freudiano revolucionou o modo como o homem pensa e concebe a si mesmo, inaugurando para o século vinte novos paradigmas na relação entre sujeito e objeto; nesse sentido, a leitura compartilhada num grupo pequeno, com troca de experiências e orientado por um psicanalista experiente, propicia uma elaboração mais cuidadosa e refinada dessa obra que perscruta a alma humana de modo singular. Trata-se ainda de uma obra vasta, que se constituiu num percurso de anos com diversas idas e vindas, nas quais é fácil perder-se o leitor caso não tenha uma visão de conjunto.

Qual a metodologia de trabalho para atingir esse propósito?

Propomos uma leitura que recomponha o percurso teórico da obra de Freud do início ao fim, através de exposições didáticas e discussões em grupo, em que haja espaço para a troca de experiências e para articulações com eventos da clínica, do cotidiano e da cultura – dimensões fundamentais para a efetiva penetração nessa obra que dialoga com a vida psíquica e social em sentido amplo. Faz parte de nossa metodologia recorrer à literatura e ao cinema para ilustrar, problematizar e enriquecer a leitura de Freud.

Nossa preocupação com a clareza didática jamais cede à simplificações, e sim diz respeito a uma leitura cuidadosa, que acompanha passo a passo os diversos movimentos da obra, permitindo a real apreensão de um pensamento que se construiu num processo investigativo dinâmico, ao longo de décadas. Também nos propomos a familiarizar o leitor com o modo inovador com que Freud aborda a mente humana, na inquietante mescla do homem diurno da razão ao homem noturno dos sonhos.

Assim, pretendemos proporcionar ao leitor boas oportunidades de encontro e elaboração do pensamento freudiano, fazendo jus à sua riqueza e complexidade. Sabemos o quanto é difícil ler com profundidade, sobretudo em se tratando de Freud. A intenção é que, através de uma experiência autêntica de leitura, ao mesmo tempo panorâmica e vertical, o aluno possa apropriar-se desse conhecimento à sua maneira, prosseguindo com autonomia em sua formação. Se o encontro do leitor de Freud com a obra verdadeiramente acontece, dá-se o germinar de um processo transformador, como aquele descrito algures por Deleuze, que ocorre entre a vespa e a orquídea: do encontro entre ambas resulta sua fertilização recíproca, cada qual a partir de sua singularidade.

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